Euribor em 2026: Como uma Taxa que Não Controla Determina o Que Paga Todo o Mês
Entre 2016 e 2022, a Euribor esteve negativa. Quem tinha crédito habitação pagava apenas o spread — e em alguns contratos mais antigos, o juro era literalmente zero. Esse período acabou em julho de 2022, quando o Banco Central Europeu iniciou uma das subidas de taxas mais rápidas da sua história. Em menos de 18 meses, a Euribor a 6 meses subiu de -0,5% para mais de 4%. Uma família com um crédito de €150.000 a 25 anos viu a sua prestação aumentar mais de €250/mês — sem qualquer mudança no seu contrato ou no seu comportamento financeiro.
O Que é Exatamente a Euribor (e Porque É a 6 Meses que Importa)
A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é a taxa a que os grandes bancos europeus se emprestam dinheiro entre si. Existe em vários prazos — 1 semana, 1 mês, 3 meses, 6 meses e 12 meses. Em Portugal, a Euribor a 6 meses é a mais utilizada nos contratos de crédito habitação: a prestação é revista a cada 6 meses, com base na Euribor publicada nessa data. A Euribor a 12 meses é usada num número crescente de contratos mais recentes. A de 3 meses existe, mas é minoritária no crédito habitação.
Spread é Fixo, Euribor é Variável — A Diferença Que Define Tudo
A taxa de juro que paga no crédito habitação é composta por duas partes: o spread (a margem do banco, negociada no contrato e geralmente fixa) e a Euribor (determinada pelo mercado europeu, sobre a qual não tem qualquer controlo). Se o seu spread é 0,9% e a Euribor a 6 meses está em 2,6%, paga uma taxa de 3,5% ao ano. Quando a Euribor sobe para 3,2%, passa a pagar 4,1% — mesmo sem ter mudado nada no seu contrato. É esta dinâmica que torna o crédito a taxa variável vantajoso nos períodos de taxas baixas, e arriscado quando as taxas sobem.
O Que Fazer Quando a Euribor Sobe: As Três Opções Reais
Quando a Euribor sobe e o orçamento fica apertado, há essencialmente três caminhos. Primeiro: renegociar o spread com o seu banco atual — é gratuito, pode fazê-lo de 2 em 2 anos e muitos bancos aceitam reduzir o spread para não perder o cliente. Segundo: transferir o crédito para outro banco, muitas vezes sem custos (o banco destino costuma suportar as despesas de transferência). Terceiro: converter para taxa fixa — um caminho mais conservador, que elimina o risco Euribor mas que pode custar mais caro se as taxas descerem. Cada caso é diferente: use o simulador de crédito habitação para comparar os três cenários com os seus números reais.